sábado, 30 de junho de 2012

Mala de viagem para clima frio

Quando estava na Patagônia Argentina em janeiro recebi via Twitter e Facebook, algumas perguntas sobre que tipo de roupa usar no frio, conheci algumas pessoas lá que tiveram dificuldade na hora de montar a mala e também na hora de comprar alguns itens, tipo: "o que é fleece?". Prometi que faria um post a respeito. Cá estou eu pagando a minha promessa.

Aproveitando que estamos no inverno, acho que é uma época boa de compartilhar as minhas dicas de como montar uma mala para clima frio. Eu tenho uma listinha básica de mala que vou customizando para cada viagem, varia um pouco com o clima (frio, vento, neve, chuva), com as novas aquisições, com a experiência das viagens anteriores, com o tipo de lugar (praia, montanha, cidade), com o tipo de evento (festas, coquetéis, jantares, acampamento) e por aí vai. Por exemplo, minha mala para Bahia Blanca, onde estava na cidade, a trabalho, para dar aula e com motorista, foi bem diferente da mala de férias para a Patagonia que eu ia ter que arrastar sozinha.

Esta é a minha lista básica atual de mala para frio. Vou listar para quem quiser copiar e depois explicar melhor alguns itens.

ROUPAS:
Calças:
- 1 jeans
- 2 ou 3 calças para trilhas


Casacos:
- 1 casacão impermeável e quente
- 1 blusão de fleece
- 1 casaco de fleece
- 1 corta-vento / chuva


Blusas:
- 5 camisetas dry fit
- 2 batas/blusas básicas
- 1 blusa arrumadinha


Outros:
- pijama
- calcinha, sutiã e meias


SAPATOS:
- Sapatilha preta básica
- Bota
- Havaianas
- Tênis caminhada


ACESSÓRIOS:
- Cachecol, luva, gorro, protetor de orelha, óculos de sol
- Cinto, brincos, anéis, colar e relógio

Calças

Como foi uma viagem com o objetivo de trekking e montanhas, só levei uma calça jeans, que fui usando inclusive. Também foi a calça que usei para andar em Buenos Aires, para ir em pubs e restaurantes mais bonitinhos à noite. As outras calças que cito devem ser calças confortáveis para muitas horas de caminhadas, para dar flexibilidade. Como estamos falando de frio, o ideal é que pelo menos uma delas seja mais quentinha, forrada ou dupla. Se você não tiver, ou não quiser comprar, faça como eu fiz no Chile, use duas. Eu colocava uma calça de suplex/lycra/cotton justinha por baixo e uma de tactel daquelas soltas de abrigo por cima, pode ser de moletom também, mas ocupa mais espaço na mala e é difícil de lavar. No caso de calor no meio da trilha dá até para tirar uma. E se for o caso, jeans com meia calça de seda ou lã por baixo, usei bastante no Peru, para passear mais bonitinha em Lima. 

Antes de viajar, descobri que no Ushuaia tinha grande variedade de roupas de frio e com preços bons, me programei para comprar duas calças lá. No primeiro dia, já fiz minhas compras:
  • uma calça dupla (não dá para separar): com forro quentinho por dentro e resistente a água por fora.
  • uma calça resistente a água sem forro e dobrável que pode virar capri (tem botões para segurar).
Existe uma diferença entre resistente a água e impermeável. Impermeável é que não entra água mesmo, até a costura é impermeável, mas geralmente é um tecido mais grosso, pesado e meio duro, como algumas roupas para esquiar. Cheguei a experimentar, mas achei pouco confortável para fazer horas de trekking, além de ser extremamente cara (uns R$400). Resistente a água significa que quando a chuva é fina, a água não penetra no tecido, geralmente escorre, porém se for chuva forte ou se você se enfiar na água, vai molhar mesmo. E geralmente é um tecido bem fino e leve que seca rapidamente para você não congelar.

Calça forrada e detalhe do tecido resistente a água e ziper do bolso

Calça simples e detalhe do tecido resistente a água e do lugar para prender o botão para deixá-la curta

Meia-calça e detalhe da parte interna (bem quentinha e horrorosa)

Calça de ginástica para usar por baixo

Casacos

Eu tenho uma casacão grande, quente, forrado e impermeável, mas comprei porque gosto de viajar para lugares frios e tenho família no Rio Grande do Sul, então justifica a compra. Se você não quiser comprar um destes, o negócio é utilizar a tática da cebola: várias camadas! Confesso que meu casaco é tão quente que sempre tinha que tirá-lo no meio da trilha e acabava ficando só com a camiseta e o corta-vento ou um blusão. Mas frio eu não passei e olha que teve um dos trekkings que até a câmera congelou (quase quebrei o motor do autofoco...).

Fora este monstro quente, também levo blusões e ou casacos de fleece, além do inseparável corta-vento. Fleece (ou polar fleece) é um tecido fofinho, levinho e quentinho, quando era criança usava uns blusões parecidos que chamava de soft ou plush, tipo roupa de bebê. Existem de várias espessuras, mais ou menos quentes. Eles são ótimos porque são leves e secam facilmente, além de ser quente, claro. O corta-vento parece mais uma capa de chuva e ele tem estes dois objetivos. Também pode ter várias espessuras que tem mais a ver com a resistência dele a chuvas e ventos fortes.

Opções de casacões: o 1° é o meu "monstro quente" e os outros são opções mais para cidade

Casaco de fleece mais grossinho e com capuz

Blusões de fleece mais fininhos, no detalhe é possível perceber a diferença do casaco anterior

Corta-vento aberto e fechado na forma de pochete (o invólucro é o próprio bolso)

Blusas


Gosto de levar blusas de dry fit que são leves, secam rápido (repararam que estas são características recorrentes nesta mala?) e permitem que o suor saia para que você não congele. Levo sempre alguns outros tipo de blusinhas para aquelas ocasiões que falei, passeio na cidade, pubs, etc. Os comprimentos das mangas variam também, mas a maioria é manga curta. Também é bom levar segunda pele, que são blusinhas bem coladinhas ao corpo, se o frio for extremo ou você costuma sentir muito frio, pode ser bom. Levei para o Peru e para o Chile, que viajei no inverno e não ia fazer muito esforço, então precisava ficar quentinha sempre. Para a Argentina não levei porque era verão e ia fazer muitas caminhadas, preferi levar manga curta como primeira camada.

Camisetas de dry fit

Segunda pele

Meias


Quentes e confortáveis. O melhor são as sem costuras e com reforços no calcanhar e na ponta.

Meias de inverno (para longas caminhadas as de cima são melhores)

Sapatos


Sapatilha preta para cidade (lembra que fui no verão e em Buenos Aires faz muito calor), ocupa pouco espaço e descansa um pouco os pés das botas pesadas. Tênis de caminhada também para descansar os pés das botas, porém é uma opção mais quente e confortável que a sapatilha. Além de ser um reserva caso ocorra alguma coisa com a sua bota. Também acho mais confortável fazer os deslocamentos (ônibus e avião) de tênis. Minha bota é de trekking para frio, bem forrada e impermeável. Também existem uns tênis específicos para trekkings em climas mais amenos, está na minha lista de próximas compras, eu levei meu tênis de corrida.

E um aviso: todos os sapatos devem ser devidamente amaciados antes!! Quando comprei a bota, parecia uma louca andando em Santos com bota de trekking, mas fiz pelo menos umas duas caminhadas longas para amaciar antes da viagem ao Chile.
Minha bota querida!

Acessórios


Os primeiros itens são para o frio, acho que não precisa explicar muito. Não esqueça de levá-los ou comprar assim que chegar. O protetor de orelha é opcional, depende se o seu gorro cobre bem as orelhas. No chile meu gorro era mais de enfeite e eu comprei um protetor de orelha para deixá-las bem cobertas. Na Argentina comprei um gorro mais quentinho que descia bem na minha cabeça. O protetor também pode ser mais charmoso que usar um gorro.


Acho bem recomendável que o óculos seja esporte, daqueles bem encostado no rosto, quase vedado, por causa dos ventos patagônicos. O vento arrasta junto água, neve, terra, areia, o que tiver na frente (até você mesmo, cuidado...).


Os outros itens são mais decorativos, mas também não podem ser esquecidos! #mulherzinha

Gorros (toucas) e meu protetor de orelha de tricô

Cachecóis (lã de ovelha, lã de alpaca e fleece) e luvas (fleece e pele de carneiro)

Últimas dicas
  • Leve peças que combinem entre si. Reparou que as minhas coisas são todas cinzas, pretas e tons de rosa/lilás?
  • Fiquei 3 semanas na Patagonia e só levei isso. Ou seja, coloque na cabeça que para ter uma mala leve, você vai ter que lavar roupa! Geralmente levo o suficiente para uma semana, podendo lavar algumas peças no hotel caso seja necessário mais alguns dias até achar uma lavanderia. Este é mais um dos motivos para ter coisas de dry fit.
  • A Mari Campos sempre fala em levar um biquini mesmo para lugares frios e já levei mesmo pro Chile porque sabia que ia ter umas termas por lá. Nesta última viagem, sabia que meus hotéis não tinham piscina e que ia estar muito frio, então não levei. Mas acho que é uma boa dica.
  • Algumas marcas que gosto bastante: Quechua (tem vários itens acima, pois compro facilmente na Decathlon aqui da Praia Grande), North Face (ótima qualidade, com preço um pouco maior que a anterior), Columbia (ótima qualidade, mas não tem muito para vender aqui em Santos), Northland e Salomon (conheci estas duas na Argentina).
  • A Fabíola já fez um post contando a experiência dela na neve: Com que roupa eu vou?
  • Veja também: mala para clima quente, mala de mão, necessaires e preparativos de viagens.
E você tem alguma dica? Esqueci de alguma coisa? Alguma outra marca que não conheço? Deixe seu comentário aí embaixo.

Se quiser ver algumas fotos minhas usando as roupas e as dicas que eu passei, clique no álbum abaixo:

2 comentários:

  1. Gostei das dicas, muito úteis! Obrigada!
    entreviagens.wordpress.com

    ResponderExcluir
  2. Carolina, estou super feliz que minha mala está bem dentro das suas dicas :) Eu comprei um Tênis da Salomon (Aqui em Florianópolis tem uma loja que vende grande parte dos produtos da marca chama Capitão Malagueta e tem site). Fizemos uma compra boa na Centauro com produtos fabricados por eles mesmo, chamada The Nord. O preço foi bem bom e assim que testar os produtos na nossa viagem em março posto para vc se valeu o custo X Benefício rsrsrs Bjos

    ResponderExcluir